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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pai de João Hélio fala sobre experiências espirituais com o filho.


Quando soube que o Tribunal de Justiça do Rio vai julgar quarta agora o recurso de apelação da quadrilha que provocou a morte do menino João Hélio Fernandes Vieites, aos 6 anos, em 2007, telefonei para o pai dele, Elson Lopes Viteites (em foto de Fábio Guimarães com sua mulher, Rosa Cristina). Contei que os advogados dos bandidos querem diminuir a sentença da 1 Vara Criminal que os condenou a penas que vão de 39 a 45 anos de prisão em regime fechado. Queria saber como ele e a mulher, Rosa Cristina, estavam tocando a vida após os dois anos da perda do filho e como estavam reagindo à solicitação dos bandidos. A conversa foi rápida, mas surpreendente.

O pedido de redução de pena, ao invés de indignação, provocou silêncio absoluto na família de João Hélio. O pai, Elson, disse que não acompanha mais a movimentação do processo porque não quer cultivar sentimentos como a raiva. Desde o crime, ele e a mulher tentam conviver com a dor e superar a perda do filho ajudando outras pessoas que sofrem todos os tipos de violência e injustiça no Rio. Sem querer entrar em detalhes, Elson conta que somente a paz de espírito faz com que ele e sua mulher fiquem mais próximos do filho morto: "uma vez ou outra eu entro na internet para ver o processo. Mas isso não me faz bem. Sentimentos ruins, como rancor e raiva, nos afastam do espírito de Joãozinho", diz Elson.

Kardecistas, religião que acredita em vida após a morte, Elson e Rosa Cristina não gostam de falar sobre a tragédia ocorrida com o filho. Muito menos gostam de falar sobre religião. Fogem dos jornalistas, não querem sensacionalismo em torno da história do filho e também não querem aparecer. Durante a conversa, Elson não entra em detalhes, mas deixa escapar que tem contato espiritual com João Hélio: "Temos incontestáveis formas de intercâmbio espiritual, temos provas. Estamos sendo muito amparados espiritualmente." E, muito gentil, conta como está conseguindo superar a perda do filho. Elson ainda esbanja bom exemplo afirmando que o objetivo dele e da mulher agora é "enxugar a lágrima de outras pessoas".

O senhor e a sua mulher, Rosa, desistiram de acompanhar o processo dos assassinos de João Hélio?

Muito de vez em quando, eu olho o processo pela internet. Mas temos procurado deixar isso de lado. O que tinha de ser feito, já foi feito. Queremos nos afastar de tudo que nos cause sentimentos ruins para ficarmos em uma vibração boa.

Sentir raiva não é humano? Por que tanta aversão por esse sentimento?

Se a gente começar a ter sentimentos ruins, nos afastaremos do nosso filho. Para ficarmos em sintonia com o espírito de Joãozinho, precisamos estar com bons sentimentos, boas vibrações. Tentamos nos afastar de tudo que nos desperte mágoas. Assim, ficamos em contato com ele.

Vocês já tiveram algum tipo de experiência espiritual com o João Hélio?

Hoje, temos certeza da imortalidade do espírito. Sabemos que o Joãozinho continua vivo em outros planos. A distância não acaba com os sentimentos. Tivemos algumas experiências que comprovam essa tese. Há uma continuação do espírito e temos incontestáveis provas da imortalidade do espírito do João Hélio. Para continuarmos a ter contato com ele, precisamos estar com boa vibração.

Como vocês têm vivido após a tragédia?

No início, queríamos mudanças na Lei e na sociedade. Hoje, não mais. Nossa formação é católica, mas um ano antes do que houve com o Joãozinho começamos a frequentar palestras kardecistas. O contato com a religião foi fundamental para a gente superar a dor. Tentamos levar a vida da melhor forma possível porque a nossa jornada terrestre continua. Tentamos praticar o bem, sem rancor. O nosso principal objetivo é enxugar as lágrimas das outras pessoas.

Ancelmo Gois

Um comentário:

Narinha disse...

Não consigo imaginar isso acontecendo com minha familia,ja me dói muito saber que aconteceu em outras, se acontecesse comigo acho que iria ate o inferno para ve-los morto, isso não iria confortar mas daria uma alivio em saber que eles nao estariam mais na sociedade.....Lemento e peço a Deus que conforte o coraçao dessa familia